O relógio marca 03h30min AM
quando Paloma o olha pela quinta vez, suspira e volta a encarar o teto, sente
que o cansaço a domina e deseja que o sono faça o mesmo, mas nada desse se
manifestar, então sacode a cabeça piscando com força, suspira mais uma vez e
volta a encarar o teto. Seus pensamentos são como uma fogueira acesa, uma chama
em destaque no breu perturbando a serenidade da escuridão, alterando os versos
da poesia. Os olhos fixos focam a lâmpada apagada, a mão apoiada no peito sobe
e desce seguindo o ritmo do complicado exercício de respirar; no ouvido os
fones tocam Kevin Garret desde as 02h00min AM, a música termina só para
recomeçar; é a única no cartão de memória, é a única que quer ouvir hoje...
então está tudo bem. O tempo se arrasta
devagar, talvez para castiga-la, talvez para fazê-la saborear cada momento,
ainda não sabe, mas sorri mesmo assim. Está feliz e tranquila, já se
acostumara, a insônia não a incomoda mais, não tanto quanto o amor que hora
debocha dela e outra hora a faz sentir-se
plena... é estranho sentir-se frágil sendo tão forte, é estranho
depender de alguém para sorrir, para sonhar, para respirar. Era a primeira vez
que isso lhe acontecia, por isso não sabia exatamente como agir, mas seguia
adiante sendo ela mesma, se deixando amar e ser amada. Era estranho. Era
exatamente a tortura que todos descreviam... Era lindo! A m o r... disse num sussurro saboreando cada letra da palavra,
fechou os olhos deliciada e sustentou o sorriso por um tempo antes de
desfaze-lo devagar. Suspirou ao sentir o sono finalmente chegar, mas não tinha
mais certeza se queria dormir, não precisava mais sonhar, não precisava de mais
nada... Sentia-se em paz... era uma paz turbulenta, mas mesmo assim era paz!
Suspira uma terceira vez. A mente divaga sem controle, o corpo pesa e relaxa,
pisca e não consegue mais abrir os olhos, a mão escorrega para o abdômen separando
o Ipod dos fones de ouvido, Kevin Garret então toca seu piano sem ser ouvido
por ela, mas acorda Léo que abre os olhos sorrindo, estava sonhando com essa
canção, então o deixa fazer sua serenata repetidamente... essa é a única música
que quer ouvir hoje, então está tudo bem. Retira os fones de Paloma, e chega
mais perto deitando em seu ombro, segura suavemente sua mão e suspira sentindo
seu cheiro. Olha para o relógio e sorri novamente, fazia tempo que não dormia
tanto, 3 horas inteiras é bastante pra quem tem insônia, então suspira ouvindo
a música recomeçar, se sente feliz, a insônia não a incomodava mais, não tanto
quanto o amor que a faz se sentir instável, e plena e boba. Era um tormento...
Era uma tortura... Era lindo! A m o r...
diz num sussurro enroscando a língua em cada letra da palavra. Ajeita-se mais
em Paloma e espera pacientemente o sono vir novamente, mas não sabe mais se
quer dormir, não precisava mais sonhar, não precisava de mais nada... Estava em
paz! Uma paz turbulenta, mas mesmo assim era paz. Sorri uma terceira vez e
suspira adormecendo. Paloma também suspira, mas nem se dá conta do ato. As duas
dormem sem sonhar, enquanto Kevin Garret resmunga seus doces lamentos de amor.
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quarta-feira, 22 de novembro de 2017
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Paloma - 2
Postado por Tempus em sexta-feira, outubro 20, 2017 com Sem comentários
No sofá Paloma observa a chuva.
Seu cobertor escorregava do ombro pela terceira vez, e ela o recolocava no
lugar pacientemente, segurava uma caneca com chá e saboreava cada gole ouvindo
a melodia da chuva que batia insistentemente na janela; ás vezes desviava os
olhos para olhar para Léo que lia absorta Hilda Hilst, gostava desses momentos
em que faziam coisas diferentes e juntas, gostava mais ainda de ficar deitada
em seu colo, era quente, aconchegante e por coincidência ou não ela se encaixava
perfeitamente nele. Isso também acontecia dentro de seu abraço; não era muito
apertado, mas não era solto demais, não era gelado, mas também não era abafado,
não sobravam braços e tampouco lhe faltava... era cheiroso... era perfeito.
Então passava parte de seu tempo livre ali, perdida em abraços, sorrisos,
sonhos e desejos. É boa, a vida. É plena, com ela! Se um dia fora tão feliz não
lembrava, tampouco lembrava se já tinha gostado tanto de alguém assim, mas
achava isso normal porque quando estava com Léo não se lembrava de muita coisa,
apenas se concentrava em seu sorriso de satisfação enquanto lia, seus olhos
castanhos seguindo os versos dos poemas, a respiração calma e controlada, o
coração que batia por ela e as mãos que distraídas lhe faziam ternas caricias.
Passeavam desinteressadas e suaves em seu rosto, contornando as linhas de
expressão, sobrancelhas, nariz, orelha e se demorando um pouco na boca antes de
recomeçar, então Paloma suspirava de satisfação e voltava a olhar á chuva.
Quando estava quase adormecendo, sentia Léo tirar a caneca de suas mãos
quentes, inclinar-se e surpreende-la com um doce beijo nos lábios, recitava em
tom de segredo um poema e colocava a mão no coração de Paloma para senti-lo
disparar de amor e alegria, depois fechava o livro e a esperava adormecer
sorrindo, olhava-a por um longo tempo e quando o cobertor escorregava de seu
ombro o colocava pacientemente no lugar, saboreava cada gole do chá que sobrara
na caneca, ouvindo a melodia de seu ressonar. Amava esses momentos em que
faziam coisas diferentes e juntas e se fora tão feliz um dia, ou se já gostou
tanto de alguém não se lembrava, mas considerava isso normal porque quando
estava com Paloma não se lembrava de muita coisa. É boa, a vida... É plena, com
ela.
sexta-feira, 28 de abril de 2017
Paloma - 1
Postado por Tempus em sexta-feira, abril 28, 2017 com Sem comentários
Paloma se agitava lentamente na
cama; um sorriso enigmático pintava seus lábios, os olhos fechados prendiam os
desejos da alma e a boca semiaberta prometia deixar escapar todos os segredos,
mas nada revelava além de satisfação. Sonhava com pássaros, com voo livre e com
flores... campos floridos e coloridos; flores perfumadas e exóticas, que saiam
da terra, se escondiam na grama e enfeitavam seu corpo... ombro, seio, barriga,
pernas. Vestia! Usava! Florescia. Flores... Tatuadas no corpo de Liz,
desabrochando em cima da pele que se arrepiava com seu toque e a enternecia... Cobriam-nas
de desejos, anseios, volúpia... Deixava Liz ainda mais linda. Deixava-a
irresistível... Assim amanhecia Paloma, nos braços de Greg, amada, segura,
desejada... Sonhando com flores. Sonhando com Liz!
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